Morte
A notícia veio. A morte é inevitável. O fluxo corre normalmente, até desaguar no fim. Para as coisas pararem de funcionar basta estarem funcionando e pode ser de um dia pro outro. Sem aviso. Sem anúncio. Fica o pão pela metade, o cigarro aceso, a água na chaleira. Fica o cachorro, o gato, o pai, o filho, a amiga. Fica aquele cinema que tava marcado há dias, ou aquele pacote de biscoito recheado guardado dentro do armário. Fica o edredom que antes cobria o corpo que foi correndo pro hospital, deixando a cama desarrumada e pronta pra receber de novo. A morte não pede licença. Ela chega ocupando o espaço sabendo da missão que lhe foi incumbida. Ela chega trazendo muita dor, mas às vezes pode ser alívio. A morte pode ser remissão, culpa, falta de ar, libertação. Com toda certeza dois pontos de vista precisam ser considerados: a do morto e a do enlutado. A morte deixa o vazio da presença de um corpo que antes era tão presente e tão vivo e tão alegre e tão… pulsante! Às vezes, pr...