Morte
A notícia veio. A morte é inevitável. O fluxo corre normalmente, até desaguar no fim. Para as coisas pararem de funcionar basta estarem funcionando e pode ser de um dia pro outro. Sem aviso. Sem anúncio. Fica o pão pela metade, o cigarro aceso, a água na chaleira. Fica o cachorro, o gato, o pai, o filho, a amiga.
Fica aquele cinema que tava marcado há dias, ou aquele pacote de biscoito recheado guardado dentro do armário. Fica o edredom que antes cobria o corpo que foi correndo pro hospital, deixando a cama desarrumada e pronta pra receber de novo. A morte não pede licença. Ela chega ocupando o espaço sabendo da missão que lhe foi incumbida. Ela chega trazendo muita dor, mas às vezes pode ser alívio.
A morte pode ser remissão, culpa, falta de ar, libertação. Com toda certeza dois pontos de vista precisam ser considerados: a do morto e a do enlutado. A morte deixa o vazio da presença de um corpo que antes era tão presente e tão vivo e tão alegre e tão… pulsante! Às vezes, pro morto, é a libertação do espírito que se via preso ao corpo acamado.
Morte. O que essa palavra te causa? A mim não causa estranheza alguma. Eu a conheço de longa data, uma velha amiga, daquelas distantes, mas que quando está presente é avassaladora.
Morte, morte, morte. Quando se repete uma palavra muitas vezes, ela perde o sentido. É apenas um som que não desperta sentimento algum. Morte. Perecer, finitude, adubo, florescer. Voltar pra onde se veio. Morte. Continuidade.
Não sei como acabar esse texto, mas dizer que a morte não sabe chegar sem antes mudar completamente as vidas de quem ela toca me parece um bom final.
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