Caminho de areia

e areia branca e grama verde. No céu não se vê uma nuvem sequer, o sol a pino, não existe sombra, muito menos vento. Suor escorre que nem cachoeira, desaguando na boca o gosto de sal. Foi esse o caminho que escolhi. À medida que caminho, me desnudo. As roupas vão caindo pela areia até minha pele inteira ficar exposta ao sol. Nada cobre meu espírito. É assustador me expor e me mostrar frágil pra mim mesma. Me sinto livre. Por que a liberdade assusta tanto? Ao mesmo tempo que assusta, liberta. Liberta ao ponto de eu conseguir encarar cada parte minha que é louca e que não faz sentido (será?), cada parte do instinto animal mais primitivo que habita em mim, e não fugir. O meu caminho nunca foi sobre como os outros me enxergam, mas como eu mesma me vejo e me aceito e me amo e me condeno e me castro e não me permito. O convite do caminho é o abraçar todos os cantos existentes dentro de mim, por mais que sejam rebeldes e queiram gritar, rejeitando a compreensão. Percorrer esse caminho é um reconhecer-me humana. É um convite que me leva ao encontro de mim mesma com todas que habitam dentro de mim, estando elas machucadas, ou eufóricas, ou deprimidas, ou castradas, ou perdidas, ou esperançosas. Todas elas sou eu. O caminho não é sobre chegar, já diz o próprio nome. É sobre percorrer, sentindo as dores inevitáveis, reconhecendo o meu lugar dentro de mim mesma. 

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